
Esse tema é uma reflexão a forma e intensidade com que nossos filhos assistem a TV.
Se pararmos para pensar, em relação ao aconchego familiar e a sua interação diante da TV, podemos entender quando os mais experientes comentam que as cadeiras nas calçadas foram trocadas totalmente pela televisão. Quando esses momentos descontraídos aconteciam antigamente, havia troca de experiências, uma relação calorosa e humana muito importante no relacionamento interpessoal.
Hoje, com a televisão, esse cenário mudou para uma sala escura, silenciosa e vazia de sentido, pois naquele momento vamos escutar somente a sua voz. Se a criança falar na hora da novela ou jornal, automaticamente é advertida, mesmo que aquele ser indefeso tenha passado o dia sem ver os pais, nada é mais importante do que a TV.
Temos que pensar que quando a família está reunida diante da TV, em silêncio, está vivendo por meio da vida de outras pessoas, e esquecendo a sua própria. Assim a vida real fica mascarada e os problemas comuns não são resolvidos, cessando mais ainda os diálogos.
Os programas e horários durante a semana mostram destruições, uma sexualidade pré-matura, maldades, aberrações e nesse momento, devemos pensar… Será que esse não é um dos motivos pelo sono agitado de tantas crianças? Pela agressividade de tantos adolescentes? Ou até mesmo pela falta de verdade nos relacionamentos familiares?
Então, diante de tudo isso, o que fazer? Devemos vender nossa TV ou proibir sua utilização? Para resolver o problema não é necessário tanto radicalismo; mas é necessário que façamos a substituição da acomodação pelo dinamismo da presença. Devemos passar a dar exemplo, e desligar a TV para ler um livro, conversar com nossos filhos ou até mesmo brincar com eles. Eles farão o mesmo.
Outras atividades mais interessantes podem ser substituídas, como recortar, brincar de boneca, contar histórias, dar uma volta, andar de bicicleta… Com certeza, com boa vontade, nós, pais, atrairemos nossos filhos, muito mais do que a TV. Se forem adolescentes, o esporte pode ser uma ótima troca, além de grupos de oração e formação muito importantes nessa fase da vida. Passeios culturais – teatro, livraria, cinemas, também são outras atividades a serem investidas.
Portanto, devemos lembrar que educar é estar dentro do outro, e é difícil fazer isso, quando a TV impede qualquer diálogo. Uma boa conversa nos permite descobrir as dificuldades de nossos filhos e ajudá-los a enfrentá-las, e só conseguiremos isso conversando olho a olho, desligando o celular e dando a eles toda a atenção merecida.
Vamos manifestar nossos afetos, com presença, tornando-se visível das mais variadas maneiras. Não deixe que a vida e crescimento do seu filho passe, mas viva cada momento e deixe marcas do seu amor!
Fonte: A Família no Século XXI, Boechat Ivone; Silêncio e Palavra, Sciacca.